terça-feira, março 10, 2009

Seleções maravilhosas que perderam uma Copa do Mundo - parte I



A Copa do Mundo de 1950 só foi realizada no Brasil pelo fato de que os países europeus ainda se recuperavam da devastação da II Guerra Mundial. A Europa estava muito destruída e não havia a possibilidade da Copa ser sediada lá.

O Brasil foi candidato à sede da Copa, juntamente com a Alemanha, mas seguindo a lógica sequencial, a última Copa realizada tinha sido na França, portanto era natural que o próximo torneio fosse em um país sul-americano.

Muitos países desistiram de disputar a Copa, pois não queriam arcar com os altos custos da viagem até o Brasil e só houve 13 participantes, ainda que o planejamento inicial pevia 16 seleções.

Na 1ª fase, o Brasil enfrentou o México, ganhando de 4 a 0, empatou com a Suíça em 2 a 2 e obteve vitória de 2 a 0 frente à Iugoslávia.

A favorita para ganhar o torneio era a Inglaterra, que nunca havia participado de Copas do Mundo, porém eram os inventores do futebol. Mesmo assim a Inglaterra conseguiu perder dos EUA, sendo que esta derrota é considerada a maior zebra das Copas. E em seu grupo foi ultrapassada pela Espanha, que conseguiu a classificação.

Já o Uruguai, enfrentou a moleza da Bolívia, que venceu de 8 a 0 e se classificou (sim, o Uruguai só enfrentou a fraca Bolívia).

No grupo da Itália, se classificou a Suécia, já que a Itália não era nem sombra das seleções vitoriosas da década de 30, principalmente depois do acidente aéreo com o time do Torino, que era a base da Squadra Azurra.

A etapa seguinte da Copa foi um quadrangular com: Brasil, Uruguai, Espanha e Suécia. O Brasil triturou a Suécia por 7 a 1, jogando um excelente futebol e repetiu o futebol ao ganhar por um placar elástico da Espanha, de 6 a 1. O Uruguai conseguiu chegar à final com um empate de 2 gols com a Espanha e uma vitória de 3 a 2 sobre a Suécia. Uma curiosidade sobre esta partida, é que até os 40 minutos do 2º tempo, o Brasil era campeão, já que o empate dos uruguaios dava título do torneio por antecipação ao Brasil.



A excelente campanha do Brasil criou expectativa de título na população brasileira da época, fazendo com que o Brasil chegasse à final como franco favorito. Os jornais brasileiros já davam como certo o título do Brasil.



A final foi disputada em 16 de julho de 1950, no Maracanã, cuja partida depois foi conhecida como Maracanazo. Já se tinha certeza que o Brasil ganharia o título, ainda mais depois que Friaça abriu o placar aos 2 minutos do 2º tempo. Mas o que era só comemoração, virou pesadelo após o gol de empate com Schiaffino e depois, à 11 minutos do final da partida, o ponta-direita Ghiggia corre em direção ao gol de Barbosa e dispara um chute certeiro.
Fim desastroso de uma campanha maravilhosa, que até a final, tinha sido praticamente impecável.



O artilheiro do torneio foi Ademir de Menezes, o Queixada, com 9 gols.
Certamente o fato da torcida e a imprensa comemorar antecipadamente o título, contribuiu para a derrota, considerando que esse clima de "já ganhou" chegou até os uruguaios e aí fizeram uma partida muito disputada e com muita garra. Mas evidentemente, o pior foi entrar em campo já se achando campeão, mesmo sendo o grande favorito, o Brasil pecou na falta de humildade.

Por muito tempo, alguns jogadores ficaram marcados como derrotados, entre eles, o goleiro Barbosa, que até pouco tempo antes de falecer era estigmatizado e culpado pela derrota. Uma ignorância com certeza.

Segue a ficha técnica do jogo:

Brasil 1 x 2 Uruguai

Data: 16 de julho de 1950
Local: Maracanã (Rio de Janeiro)
Público: 174.000;
Árbitro: George Reader (Inglaterra)
Gols: Friaça aos 2′, Schiaffino aos 21′ e Ghiggia aos 34′ do 2º Tempo.

Brasil: Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode, Friaça, Ademir de Menezes, Zizinho, Jair da Rosa e Chico.
Técnico: Flávio Costa.

Uruguai: Máspoli, González, Tejera, Gambetta, Obdulio Varela, Andrade, Ghiggia, Pérez, Miguez, Schiaffino e Morán.
Técnico: Ivan López.

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